Tel Hazor

 

(José Ademar Kaefer)

 

Diferentes níveis de ocupação

Diferentes níveis de ocupação

O Tel Hazor é um dos maiores e mais importantes sítios arqueológicos de Israel. Situada na região fértil do vale do Hula, no leste da Alta Galiléia, Hazor era uma cidade importante devido à sua localização junto ao entroncamento de duas importantes vias. Uma via ligava o Egito, no sul, à Mesopotâmia (e conseqüentemente à Assíria, Pérsia e Babilônia), no norte. A outra via fazia conexão com a Fenícia, no oeste. A estratégica posição geográfica assemelha Hazor a Meguido e a Guezer.

O Tel Hazor se divide em duas partes: a cidade alta, de 10 hectares, localizada no lado sul do vale; e a cidade baixa, que compreende 70 hectares, localizada no lado norte do vale. No período do Bronze, tanto a Hazor baixa como a Hazor alta eram habitadas. No período do ferro, somente a Hazor alta foi habitada.

 

No período do Bronze Médio, a importância de Hazor é constatada em vinte documentos encontrados em Mari, a grande cidade que ficava junto ao rio Eufrates. Esses documentos versam sobre as relações comerciais que existiam entre as duas cidades. Por esse tempo, Hazor já tinha em torno de 15 mil habitantes. No final do bronze tardio (séc. XV-XIV) Hazor é citada numa lista de cidades conquistadas pelo faraó egípcio. Nas cartas de Amarna (séc. XIV), o rei de Hazor é acusado de se haver ligado aos Hapirus e de ter conquistado três cidades cananéias. A importância de Hazor é reconhecida na Bíblia, onde a cidade é denominada de “a capital de todos esses reinos” (Js 11,10), e o rei de Hazor é chamado de “o rei de Canaã” (Jz 4,2). De fato, a grandeza da cidade aparece nas escavações, onde foram encontradas cerâmicas provenientes da Síria, do Egito, do reino dos hititas, da Babilônia, de Creta, de Ciprus e da Grécia.

 

No final do período do Bronze (1300) e início do ferro, a cidade foi destruída e abandonada. Um século e meio mais tarde, Hazor volta a ser habitada, porém só a parte alta. No início, bastante pobre, e de cujo período foi escavado um local de culto ou bamah, “lugar alto”.

 

Por volta do ano mil, a cidade volta a ganhar importância internacional e no período do ferro II (900-800), Hazor se torna uma das cidades mais importantes de Israel. O rei Omri ou Acab fortificou a cidade, com uma muralha dupla (casamata) e com um enorme portão, comumente atribuído ao rei Salomão. Construiu também armazéns, uma cidadela, edifícios públicos e um impressionante canal de água, escavado em 1968.

 

Em 732 Hazor foi destruída por Teglat-Falassar III e a partir daí a cidade foi perdendo importância. Na Bíblia, Hazor é citada pela última vez no livro dos Macabeus, na luta de Jônatas contra o rei Demétrio, por volta de 147, na planície de Hazor (1Mac 11,67-70).

 

Hazor foi extensamente escavada pelo arqueólogo Y. Yadin entre os anos 1955-1958 e 1968-1969 e foram encontrados vinte e um níveis de ocupação. Na cidade baixa, que ainda falta muito por escavar, além de muralhas, portões, palácios e habitações foram encontrados seis templos de diferentes épocas do período do bronze. Um templo chama especial atenção, pois nele foram encontradas dez estelas, nove de pé e uma deitada. Boa parte dos objetos escavados se encontram no museu de Hazor, que fica ao pé do Tel.

 

Atualmente a cidade alta, de maior interesse de Israel, continua sendo escavada. Para poder escavar os níveis mais antigos, as descobertas mais relevantes dos níveis mais recentes são fotografadas e transplantas para outras áreas. Na cidade baixa no momento não há escavações e não está aberta ao público.

 

O Tel Hazor revela-se especialmente importante, pois seu estudo pode nos ajudar a desvendar muitos enigmas que ainda existem sobre a formação do povo de Israel, particularmente por sua estreita ligação com a Mesopotâmia.

 

 

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