Tel Arad

 

(José Ademar Kaefer)

 

O Tel Arad está situado a 30 km a sudoeste de Massada, junto à nascente do Nahal Beerseba. A 8 km dali, seguindo em direção a oeste, pela moderna autopista 31, se encontra hoje a nova cidade de Arad.

 

O Tel Arad ocupa uma área bastante grande, nove hectares no total, e é um excelente exemplo de como eram as cidades do período do Bronze e de como se deu a passagem do Bronze para o período do Ferro I.

 

Na Bíblia, Arad só aparece em textos que fazem referência ao período pré-israelita. Por exemplo, em Nm 21,1-3 se fala de um confronto entre Israel e o rei de Arad. Neste mesmo sentido, em Js 12,14, Arad é mencionada na lista dos reis vencidos por Israel. Arad aparece, também, numa inscrição de 925 a.C. da cidade de Karnac, como uma das cidades subjugadas pelo faraó egípcio Sisac.

 

O Tel está dividido um duas áreas bem distintas: a parte mais baixa, que corresponde à cidade do bronze antigo; e a parte mais alta, que corresponde ao período do ferro.

 

A parte baixa é o melhor exemplo que temos de uma típica cidade do Bronze. É um achado fantástico para o estudo da sociedade deste período. Muito bem escavada, a cidade era protegida por uma grande muralha de 1200 metros. A cidade abrigava em torno de três mil habitantes, e atingiu o seu auge por volta de 3000-2700 a.C. Depois disso, ficou abandonada por uns 1500 anos.

 

Os ossos de ovelhas e de cabritos encontrados nas escavações demonstram que o pastoreio e a agricultura eram a economia básica desta cidade. Os achados de cerâmica provam que Arad comercializava com o Egito e com a Arábia. As casas escavadas nos dão uma idéia clara do seu estilo. Basicamente consistiam numa grande sala de estar, com bancos de pedra que circundavam as quatro paredes, um armazém e um pátio aberto. As ruas da cidade eram estreitas e sem muita planificação. O enorme poço de 21 metros de profundidade, que se encontra na parte mais baixa da cidade, pertence ao período israelita. Chama a atenção, ainda, um templo com duas estelas, ou bamot, solitárias testemunhas do culto à fertilidade que existia em todo mundo cananeu.

 

O que levou o povo a abandonar a cidade depois de 2700 a.C. é uma incógnita. Na verdade, esse movimento pode ser percebido em outras cidades do Bronze médio e tardio. Tudo indica que, com o declínio do império egípcio, os reis das cidades-estado de Canaã começaram a se degladiar entre si na tentativa ocupar o vácuo de poder deixado pelos egípcios. As guerras exigiam mais impostos e mais soldados, aumentando assim o peso da exploração sobre o povo. A solução foi abandonar a cidade e ocupar as montanhas, que para esse período já eram acessíveis para serem habitadas. É nesse movimento da planície para a montanha e nesse espaço de tempo que surge Israel.

 

Por volta de 1200 a.C. Arad passou a ser ocupada novamente, agora não mais na parte baixa, mas na parte alta da colina. O tamanho da nova Arad não passava de meio hectare. A primeira ocupação na parte alta era mais modesta. Mais tarde, por volta do século X, Arad foi transformada numa fortaleza militar. Entre as descobertas mais impressionantes da parte está um templo de Javé. Construído em continuidade com os lugares altos, com as eiras, ou as bamah, onde aconteciam os ritos da fertilidade, foram encontradas no templo de Javé duas estelas. As estelas estavam colocadas fixas no santo dos santos. A maior, que representava Javé, media 90 cm. A outra era um pouco menor e certamente era uma representação da deusa Astarte. A maior era fálica, tinha a parte superior arredondada e estava pintada de vermelho. Portanto, uma prova contundente da influência que o javismo sofreu dos ritos da fertilidade cananéia. Em frente a cada estela havia um pequeno altar para incenso. O nicho com as estelas se encontra atualmente no museu de Jerusalém. Convém mencionar ainda, que no centro do templo foi encontrado um grande altar de 3 metros de largura, por 1.40 de altura, e que era utilizado para sacrifícios de grandes animais.

 

Arad seguiu sendo utilizada como fortaleza militar pelos assírios, pelos persas e pelos gregos.

 

Atualmente as escavações continuam na parte alta, na cidadela. A parte baixa, a cidade do bronze, no entanto, está abandonada. Lamentavelmente a erosão das chuvas vai consumindo pouco a pouco um testemunho histórico irreparável.