O Egito colossal de Ramsés II

 

Por Antônio Frizzo

 

As tradições literárias em torno do livro do Êxodo seguem sendo relidas pelas mais diferentes escolas de exegese e teologia bíblica. Não resta dúvida de que o evento histórico da fuga ou expulsão do Egito, tonou-se para os autores bíblicos, um paradigma, reinterpretado a cada época ao longo da historiografia de Israel. Não poucos estudiosos o definem como uma autentica lâmpada a iluminar toda a saga histórica dos hebreus em busca da conquista, posse e permanência na terra prometida que “mana leite e mel”.

 

A provável crise ocorrida no Egito, em meados da 19a dinastia, coincide com a fuga de vários grupos tribais que há anos eram subjugados no vasto, rico e beligerante Império Egípcio, tendo à frente, o Faraó Ramsés II, retratado nas mais diversas esculturas e monumentos a ele dedicado. Este poderoso monarca reinou durante os anos de 1279 – 1213 a.C., e, é sob seu reinado, segundo as tradições textuais bíblicas, que acontece uma experiência vital para os retirantes – lavradores, camponeses, mulheres, crianças, pastores – que optam pela edificação de um modo de vida alternativo, residindo nas regiões montanhosas da Palestina.

 

Os relatos no livro do Êxodo não apresentam o nome do monarca egípcio na época em que os hebreus saíram do Egito. Para os textos, essencialmente teológicos, está em cena um poder que desafia a divindade dos hebreus. Tal poderio humano não pode prevalecer. Os projetos e interesses políticos em jogo (Ex 1,1-9 e Ex 2), tem como finalidade última, realçar os limites de um poder real faraônico, legitimado como semideus, em oposição à divindade dos hebreus.

 

Ainda jovem , Ramsés II participou das guerras lideradas por seu pai, o Faraó Seti I (1290 – 1279 a.C.) em campanhas militares com o objetivo de controlar as cidades-estados existentes na região da Palestina. No auge do seu programa expansionista está o obstinado controle total das rotas comerciais que uniam o Sul ao Norte, na região costeira do mediterrâneo. Em meados de 1274 eclode a lendária batalha de Kadesh. O conflito durou dezesseis anos, e, somente após inúmeras baixas de ambos os lados, termina com o famoso tratado de paz entre as essas duas potências militares, que se dividem no controle da região, temendo o surgimento do Império Assírio.

 

Até o ano de sua morte em 1213, Ramsés não declinou da ideia de se tornar lendário às futuras gerações egípcias. Mandou estabelecer colunas, esculturas e templos funerários com seu nome, mesmo que para isso tivesse que sobrepor sua imagem e nome às figuras e monumentos dedicados aos faraós que o precederam.

 

 

Antonio Carlos Frizzo é professor de Teologia Bíblica. Estudou tradição judaica no Instituto Pontifício Ratisbonne, Jerusalém, possui doutorado pela PUC-RJ. É assessor no Centro Bíblico Verbo e professor no ITESP, São Paulo.

Contatos: acfrizzo@uol.com.br.

 

 

 

 

 

 

 

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