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Caminhos

Encantos, desencantos e re-encantos na vida religiosa

 

1. Na vida religiosa, o que nos encantou para seguir Jesus?

Na comunidade em que vivia, Jesus falava e se comportava de uma forma que atraía e fascinava os que o rodeavam. Algo novo estava acontecendo, muito diferente de tudo o que até então fora visto e ouvido. Pela primeira vez os pobres, as mulheres, os doentes e outros, todos considerados “impuros”, deixavam de ser excluídos. Foi assim que Jesus os seduziu.

Junto a esse fascínio veio a libertação: um cego se curou, uma prostituta deixou a marginalidade, uma mulher recuperou sua saúde. Surgiu um caminho novo que todos, sem exceção, poderiam trilhar. As pessoas passaram a se encontrar e se criou um encanto que contagiou a todos.

  • O que o(a) atraiu para a vida religiosa? Quais encantos o(a) maravilharam?
  • Leia Lucas 24,13-35 e descubra como os(as) discípulos(as) se encantaram com Jesus e com a convivência comunitária de seu projeto.

  2. Quais os desencantos que   encontramos no caminho?

Este é um exemplo prático que pode servir de reflexão sobre o tema proposto

O conselho de certa congregação indicou uma de suas religiosas para trabalhar em uma aldeia indígena. Consultada como de praxe, a religiosa aceitou a proposta.

Pouco depois, no entanto, deve ter-se arrependido e, em contato com outras religiosas, comentou que a transferência fora uma imposição da provincial e da pessoa que a consultou em nome do conselho. A cizânia se espalhou e o desconforto se manifestou.

Em nossa vida não faltam desencantos. Muitos têm origem em uma interpretação errada do legado de Jesus, outros por não seguirmos seus ensinamentos. Dessa forma se mantém a desigualdade, e os interesses pessoais superam o bem comum.

O próprio Jesus passou por desencantos (“Se tu és o filho de Deus ...”), mas soube superá-los. Seus discípulos, porém,  tiveram dificuldades (“Na estrada, diziam: ‘Nós esperávamos que ele fosse redimir Israel ... ´”, ou a negação de Pedro).

Quem não passou por desencantos na vida religiosa? Quem não presenciou divisões em sua comunidade?

 

a. Você já teve algum desencanto em seu caminho? O que mais o marcou nessa experiência?

 

b. Leia Lucas 24, 13-27 .  Analise como os discípulos se desencantaram: “E nós que esperávamos que ele fosse o libertador de Israel. Além disso, hoje é o terceiro dia depois que isso aconteceu ... “.

 

3. O que nos re-encanta e nos mantêm com Jesus?

O que nos re-encanta é olhar os ensinamentos de Jesus com profundidade. Essa profundidade nos dá a convicção de que nossa escolha do projeto de Jesus é verdadeira. Esse olhar nos faz renunciar aos falsos encantos.

 

4. Olhar para quem se encantou com Jesus

Observe o encantamento de Maria ao sentar-se aos pés de Jesus, como se sentiu ao perceber a nova relação com Deus e entre as pessoas. Compare esse sentimento de Maria e a leitura orante (LO), por meio da qual procuramos nos re-encantar, buscar e descobrir novo sentido para nossa existência.

 

5. O encanto está na humildade

Observe o que diz Mateus (Cap. 11, 25): “Dou-te graças, Pai, Senhor do céu e da terra. Porque, ocultando estas coisas aos entendidos, tu as revelaste aos ignorantes.”. A missão de Jesus era estar entre os pobres, ouvi-los. Isso sensibilizou seus discípulos, e nos leva a buscar entre os pobres a semente da esperança, o caminho de nosso re-encanto. E quem se re-encanta, torna-se capaz de doar a própria vida  (veja o exemplo da Irmã Dorothy).

  • Hoje, quais são seus encantos e re-encantos.
  • b .Leia Lucas 24,28-33 e aponte os re-encantos dos(das) discípulos(das).

 

Procure responder às questões propostas e envie-nos seus comentários. Colabore com nossa reflexão compartilhada. Desde já, agradecemos. contato@cbiblicoverbo.com.br

 

 

 

Entrevista com Ir. Conceição Vasconcelos rbp.

P: Conceição, qual o papel da Bíblia na sua vida?

R: A Bíblia para mim é meu referencial, como cristão, como religiosa. Aí de mim senão fosse o relacionamento amigo com a Palavra de Deus e com os pobres, especialmente as mulheres duplamente marginalizadas. A Palavra de Deus é para mim espelho, força seta apontando caminhos de vida, de avaliação, de discipulado, de aprendizagem contínua. Esse  relacionamento eu aprendi com os meus pais. Sobretudo, meu pai. Desde muito pequena, ele me contava as

histórias da Bíblia e me ensinava a partilhar com os pobres.

Éramos pobres então, a própria vida já nos colocava nessa convivência. No nosso dia-a-dia, papai sempre fazia referencia à Palavra, o pão de farinha, misturado com os problemas, sofrimento e alegrias da família. Era um ambiente de oração, de fraternidade e de festa! Nesse ambiente eu firmei os meus primeiros passos.

Já idosos, eles se tornaram evangélicos.

Naquele tempo, nós católicos, não tínhamos fácil acesso a cursos bíblicos. Nossos irmãos evangélicos nos adiantaram nessa riqueza. E como papai tinha muita sede da Palavra de Deus, acredito ter encontrado aí, juntamente com nossos irmãos evangélicos, em seus cultos dominicais, e escolas bíblicas, conforme denominavam, uma visão geral da bíblia. Assim ele foi fiel à sua sede de Deus, que a nós se manifestar também através de sua Palavra.

Na vida religiosa, o contato com a Palavra, especialmente no meio dos empobrecidos, tem sido a minha meta. Tenho tido oportunidade de leituras, cursos, entre eles fiz o CURSO DE ESPECIALIZAÇAO  no Centro Bíblico Verbo. Tudo isso me levou a perceber que minha leitura era um tanto fundamentalista, mas me informou e formou no contato e na convivência amorosa com a Bíblia. Vejo na Bíblia a história de um povo, que continua hoje, no nosso povo, na nossa vida. Não é a receita. É luz.

Tua palavra é a lâmpada para os meus pés. É luz para meu caminho. (Sl 119, 105).

Aqui vale também lembrar o (Sl 44, 4; Sl 72) com a ênfase: “nossos pais nos contaram.” É a historia do povo com Deus e de Deus com o povo que passa de geração em geração como dinamismo de nossa vida.

É isso aí, minha Irmã e meu irmão. A Bíblia é a velha Palavra eternamente nova. É a água da vida que continua nos saciando. É pão velho e ao mesmo tempo novo que continua nos alimentando, nos sustentando nesse laborioso caminhar comunitário.

Vejamos a historinha do pão velho, autor desconhecido.

.

“Era um fim de tarde de sábado. Eu estava molhando o jardim de minha casa, quando vi um menino parado, junto ao portão, me olhando.

.- Dona tem pão velho?

Essa coisa de pedir pão sempre me incomodou. Olhei par aquele menino nostálgico e perguntei:

- Onde você mora?

- Depois do zoológico.

- Bem longe hein?

- É. Mas eu tenho que pedir as coisas para comer.

- Você está na escola?

- Não. Minha mãe não pode comprar material.

- Seu pai mora com vocês?

- Ele sumiu...

E o papo prosseguiu, até que eu disse: vou buscar pão.  Serve o pão novo?

- Não precisa não. A senhora já conversou comigo. Isso  é suficiente.

Esta resposta caiu em mim como um raio. Tive a sensação de ter absorvido toda solidão e a falta de amor daquela criança tão nova e já sem sonhos, sem brinquedos, sem comida, sem escola, e tão necessitada de um papo, de uma conversa amiga.  

Quantas lições podemos tirar dessa resposta:

Não - precisa não. A senhora já conversou comigo. Isso é suficiente.”

Que poder mágico tem o gesto de falar e ouvir com amor! Os anos se passaram. Continuam pedindo “pão velho” na minha casa. E eu, dando “pão novo”, mas procurando antes compartilhar o pão das pequenas conversas. O pão de gestos que acolhem e promovem.

Este pão de amor, da partilha, da solidariedade não fica velho, por que é fabricado no coração de que acredita Naquele que disse: Eu sou o pão da vida.”

PARA PENSAR...

 Qual é o lugar da Bíblia – Palavra de Deus escrita – na sua vida pessoal e comunitária? Como essa Palavra se faz PÃO no seu dia a dia?





CAMINHO

 

Entrevista com Ir. Conceição Vasconcelos rbp.

P: Conceição, qual o papel da Bíblia na sua vida?

R: A Bíblia para mim é meu referencial, como cristão, como religiosa. Aí de mim senão fosse o relacionamento amigo com a Palavra de Deus e com os pobres, especialmente as mulheres duplamente marginalizadas. A Palavra de Deus é para mim espelho, força seta apontando caminhos de vida, de avaliação, de discipulado, de aprendizagem contínua. Esse  relacionamento eu aprendi com os meus pais. Sobretudo, meu pai. Desde muito pequena, ele me contava as histórias da Bíblia e me ensinava a partilhar com os pobres.

Éramos pobres então, a própria vida já nos colocava nessa convivência. No nosso dia-a-dia, papai sempre fazia referencia à Palavra, o pão de farinha, misturado com os problemas, sofrimento e alegrias da família. Era um ambiente de oração, de fraternidade e de festa! Nesse ambiente eu firmei os meus primeiros passos.

Já idosos, eles se tornaram evangélicos.

Naquele tempo, nós católicos, não tínhamos fácil acesso a cursos bíblicos. Nossos irmãos evangélicos nos adiantaram nessa riqueza. E como papai tinha muita sede da Palavra de Deus, acredito ter encontrado aí, juntamente com nossos irmãos evangélicos, em seus cultos dominicais, e escolas bíblicas, conforme denominavam, uma visão geral da bíblia. Assim ele foi fiel à sua sede de Deus, que a nós se manifestar também através de sua Palavra.

Na vida religiosa, o contato com a Palavra, especialmente no meio dos empobrecidos, tem sido a minha meta. Tenho tido oportunidade de leituras, cursos, entre eles fiz o CURSO DE ESPECIALIZAÇAO  no Centro Bíblico Verbo. Tudo isso me levou a perceber que minha leitura era um tanto fundamentalista, mas me informou e formou no contato e na convivência amorosa com a Bíblia. Vejo na Bíblia a história de um povo, que continua hoje, no nosso povo, na nossa vida. Não é a receita. É luz.

Tua palavra é a lâmpada para os meus pés. É luz para meu caminho. Sl 119, 105. Aqui vale também lembrar o Sl 44 4 o Sl 72 com a ênfase: “nossos pais nos contaram.” É a historia do povo com Deus e de Deus com o povo que passa de geração em geração como dinamismo de nossa vida.

É isso aí, minha Irmã e meu irmão. A Bíblia é a velha Palavra eternamente nova. É a água da vida que continua nos saciando. É pão velho e ao mesmo tempo novo que continua nos alimentando, nos sustentando nesse laborioso caminhar comunitário.

Vejamos a historinha do pão velho, autor/a desconhecido/a.

“Era um fim de tarde de sábado. Eu estava molhando o jardim de minha casa, quando vi um menino parado, junto ao portão, me olhando.

. Dona tem pão velho?

Essa coisa de pedir pão sempre me incomodou. Olhei par aquele menino nostálgico e perguntei:

Onde você mora?

. Depois do zoológico.

Bem longe hein?

. É. Mas eu tenho que pedir as coisas para comer.

Você está na escola?

. Não. Minha mãe não pode comprar material.

Seu pai mora com vocês?

. Ele sumiu...

E o papo proceguiu, ate que eu disse, vou buscar pão.  Serve o pão novo?

. Não precisa não. A senhora já conversou comigo. Isso  é suficiente.

Esta resposta caiu em mim como um raio. Tive a sensação de ter absorvido toda solidão e a falta de amor daquela criança tão nova e já sem sonhos, sem brinquedos, sem comida, sem escola, e tão necessitada de um papo, de uma conversa amiga.  Quantas lições podemos tirar dessa resposta: Não precisa não. A senhora já conversou comigo. Isso é suficiente.” Que poder mágico tem o gesto de falar e ouvir com amor! Os anos se passaram. Continuam pedindo “pão velho”na minha casa. E eu, dando “pão novo”, mas procurando antes compartilhar o pão das pequenas conversas. O pão de gestos que acolhem e promovem.

Este pão de amor, da partilha, da solidariedade não fica velho, por que é fabricado no coração de que acredita Naquele que disse: Eu sou o pão da vida.”

PARA PENSAR...

 Qual é o lugar da Bíblia – Palavra de Deus escrita – na sua vida pessoal e comunitária? Como essa Palavra se faz PÃO no seu dia a dia?






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