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Roteiro do Mês

Deus viu que tudo era muito bom !
Entendendo o livro de Gênesis 1-11

 

Uma publicação do Centro Bíblico Verbo e da Paulus editora.

Você também dispõe deste material em DVD ou VHS, editado pela Verbo Filmes.

 

 

OITAVO ENCONTRO

Tema: Javé desce e impede o projeto dos dominadores.

Personagens: Javé e os homens.

Texto: Gn 11,1-9.

Palavras-chave: Língua, palavras, cidade, torre, nome, desceu, povo, confundiu, dispersou.

Perspectiva: Contemplar a ação de Javé como o Deus que quer a vida de todas as pessoas e não compactua com os projetos dos dominadores de ontem e hoje.

 

Javé desceu para ver a cidade e a torre que os homens haviam construído (11,8).

 

Atenção: Ao preparar o encontro, o grupo ou a comunidade, conforme a sua realidade e sua criatividade, pode mudar os cantos, as perguntas e a forma de celebrar a vida.

 

 

 

1. Preparar o ambiente

 

- Colocar no centro uma Bíblia, velas e flores.

 

- Escrever numa cartolina o tema do encontro.

 

- Expor as frases-síntese dos sete encontros anteriores; se o grupo ou a comunidade não fez, colocar o tema dos encontros anteriores.

 

 

2. Acolhida

 

Canto inicial:

Virá o dia em que todos, ao levantar a vista, veremos nesta terra reinar liberdade. (bis)

- Minha alma engrandece ao Deus libertador, se alegra meu espírito em Deus meu Salvador, pois ele se lembrou do seu povo oprimido, e fez de sua serva a mãe dos esquecidos.

- Imenso é seu amor, sem fim sua bondade, pra todos que na terra lhe seguem na humildade. Bem forte é nosso Deus, levanta o seu braço, espalha os soberbos, destrói todos os males.

- Protege o seu provo com todo o carinho, fiel é seu amor em todo o caminho. Assim é o Deus vivo que marcha na história, bem junto do seu povo em busca da vitória.

 

Dirigente: Com alegria, acolhemos a presença de cada uma e cada um nesse encontro. Acolhendo-nos mutuamente estamos acolhendo a presença de Deus em nosso meio. Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo.

 

Todas/os: Amém.

 

Dirigente: Vamos reler cada frase-síntese dos encontros anteriores (ou dos temas) e relembrar a caminhada que percorremos em nossos encontros bíblicos.

Deixar espaço para as pessoas se expressarem e concluir com um refrão apropriado. Sugestão: Vem, ó Senhor, com o teu povo caminhar, vem sem demora, vem, Senhor, nos libertar.

 

 

3. Motivando a conversa

Leitora ou leitor 1: No tempo da dominação dos gregos, por volta do ano 164 a.C., diante da perseguição imperialista e da pretensão de dominar tudo, as lideranças religiosas incentivam a resistência. Eis uma história contada no livro de Daniel: "Tiveste, ó rei, uma visão. Era uma estátua. Enorme, extremamente brilhante, mas de aspecto terrível. A cabeça da estátua era de ouro fino; de prata eram seu peito e os braços; o ventre e as coxas eram de bronze, as pernas eram de ferro; os pés, parte de ferro e parte de argila. Estava olhando, quando uma pedra, sem intervenção de mão alguma, destacou-se e veio bater na estátua, nos pés de ferro e argila, e os triturou. Então se pulverizaram ao mesmo tempo o ferro e a argila, o bronze, a prata e o ouro, tornando-se iguais à palha miúda na eira de verão: o vento os levou sem deixar traço algum" (Dn 2,31-35).

             

Dirigente: Apesar dos sofrimentos causados pelo imperialismo, o povo judeu mantém a sua fé na ação libertadora de Deus. Um Deus que é contra o projeto dos opressores. O que podemos aprender com essa história? Dar tempo para as pessoas se expressarem.

 

Dirigente: No encontro de hoje vamos refletir sobre a Torre de Babel e perceber nesse relato a fé do povo judeu, que continua sendo também a nossa.

             

Encerrar esse momento com um refrão apropriado. Sugestão: Javé, o Deus dos pobres.

 

 

4. Situando o texto

 

Leitora ou leitor 2: Há tradições antigas sobre a torre enquanto construção militar e símbolo do poder (Dt 1,28). Na Babilônia havia muitas torres altas, conhecidas por zigurates. A torre chamada Etemenanki, que significa "fundamento da terra e do céu", era a mais alta e dava acesso ao santuário do grande deus Marduk. Certamente, os judeus exilados na Babilônia ficaram deslumbrados diante dessas torres. Os autores de Gênesis 11,1-9 ironizam a pretensão da Babilônia, a grande nação, chamando sua torre mais importante de Babel, do acádico Bab-Il – porta de Deus –, misturando com o termo hebraico balal, confundir. Na realidade parecem estar dizendo: “Porta de Deus coisa nenhuma, é uma grande confusão”!

 

5. Leitura do texto

 

Dirigente: Acolhendo a Palavra de Deus, cantemos:

Chegou a hora da alegria, vamos ouvir esta Palavra que nos guia. (bis)

Nada se cria sem a força e o calor que sai da boca de Deus, nosso criador.

Esta é a palavra da certeza e da justiça, que nos liberta da opressão e da cobiça.

 

Leitora ou leitor 3: Ler Gn 11,1-9.

 

Dirigente: Para conversar

 

a) Recontar a história em mutirão. Com suas próprias palavras, alguém inicia e outras pessoas dão continuidade.

 

b) Quais são as pretensões dos construtores da torre?

 

c) Como Javé fica sabendo do projeto da construção da cidade e da torre?

 

d) Quais são as ações de Javé?

 

 

6. Iluminando a vida

 

Leitora ou leitor 4: Um grande império é construído através da escravização de muitos povos e nações. Portanto, dispersar e confundir as linguagens é castigo contra os dominadores. Manter a unidade em Javé sim, mas não para dominar. É fundamental que cada grupo, comunidade, sociedade e país tenham a sua própria cultura. É a diversidade que enriquece a vida.

 

a) Se Deus descesse em nossa casa, grupo, comunidade, bairro, cidade..., quais seriam as nossas reações?

 

b) Como respeitamos as pessoas e os grupos que têm idéias e crenças diferentes das nossas?

 

c) Nossos projetos comunitários respeitam a diversidade de pessoas que existe em nossa comunidade?

 

 

7. Celebrando a vida

 

Dirigente: Rezemos pedindo a Javé que nos ajude a destruir as torres que atrapalham a convivência de irmandade entre as pessoas: Pai nosso...

 

Dirigente: Cada pessoa poderá colocar um símbolo que represente a sua vida, o seu serviço à comunidade. A partir dos símbolos colocados, contemplar e dizer, numa palavra, qual é o rosto do nosso grupo ou comunidade.

 

Dirigente: Concluir rezando (ou cantando) uma parte do Salmo 133: Vede: como é bom, como é agradável habitar todos juntos, como irmãs e irmãos. Porque aí manda Javé bênção e vida para sempre.

 

 

9. Gesto concreto

             

Escolher um gesto concreto para ser vivido pelo grupo ou pela comunidade. Sugestão: convidar uma pessoa que esteja ligada às políticas públicas, entre elas a do meio-ambiente, e promover um encontro de conscientização aberto à comunidade.

 

 

10. Bênção final

 

Dirigente: O projeto de Javé é a unidade na diversidade. A nossa bênção será dada através do abraço; nesse gesto podemos expressar o que nós desejamos para a irmã ou o irmão de caminhada.

 

Dirigente: Vamos selar e festejar nossa amizade partilhando os alimentos. E Deus, que é pai e mãe, continue nos acompanhando hoje e sempre. Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo.

 

Todas/os: Amém.

 

 

SÉTIMO ENCONTRO

Tema: Deus faz aliança com toda a humanidade.

Personagens: Deus, Noé e seus filhos.

Texto: Gn 9,1-17.

Palavras-chave: Abençoou, sangue, imagem de Deus, aliança, sinal.

Perspectiva: Entrar na dinâmica da aliança com Deus, na certeza de que ele continua nos abençoando e nos convocando para sermos portadoras/es de suas bênçãos.

Estabeleço minha aliança convosco: tudo o que existe não será mais destruído pelas águas do dilúvio (9,11).

 

Atenção: Ao preparar o encontro, o grupo ou a comunidade, conforme a sua realidade e sua criatividade, pode mudar os cantos, as perguntas e a forma de celebrar a vida.

 

1. Preparar o ambiente

- Colocar no centro uma Bíblia, velas e flores.

- Escrever numa cartolina o tema do encontro.

- Preparar fitas com as cores do arco-íris e colocar no centro uma aliança.

 

 

2. Acolhida

Canto inicial: Deus chama a gente pra um momento novo

De caminhar junto com seu povo.

É hora de transformar o que não dá mais:

Sozinho, isolado, ninguém é capaz.

Por isso, vem! Entra na roda com a gente também!

Você é muito importante! (bis)  (Vem!)

A força que hoje faz brotar a vida

Atua em nós pela tua graça,

É Deus que nos convida pra trabalhar,

O amor repartir e as forças juntar.

 

Dirigente: Deus quer estabelecer uma nova aliança com cada uma e cada um de nós. Estamos reunidas e reunidos em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo.

Todas/os: Amém.

Dirigente: Vamos ler o tema do encontro de hoje: Deus faz aliança com toda a humanidade.

Dirigente: Deus renova a sua aliança com os seres humanos e com todos os seres vivos: "Não haverá mais dilúvio para devastar a terra" (9,11c).

 

 

3. Motivando a conversa

 

Leitora ou leitor 1: Somos chamadas e chamados a ajudar as pessoas a refazerem a aliança com o Deus da vida. Essa aliança deve ser vivida no cotidiano. Vejamos um fato da vida. "Num domingo, num bairro da cidade de São Paulo, duas mulheres idosas estavam se dirigindo para o ponto de ônibus, que nesse dia passa a cada meia hora. Havia também uma terceira pessoa que estava ajudando a carregar as malas. Mesmo fora do ponto, o ajudante fez sinal e o motorista parou. As mulheres entraram. O ajudante agradeceu. O motorista fez sinal positivo e esboçou-lhe um sorriso. Aquele sorriso, como o arco-íris, teve um efeito especial, acompanhando o ajudante por vários dias". A vida é assim, feita de pequenos gestos de solidariedade que são capazes de dar novo sentido para o nosso viver.

 

Dirigente: Quantas vezes em nosso dia-a-dia ajudamos a refazer a aliança com Deus e entre Deus e as pessoas? E quantas vezes provocamos a ruptura desta aliança?

Encerrar esse momento com um refrão apropriado.

 

4. Situando o texto

 

Leitora ou leitor 2: Os capítulos 6 a 9 do livro do Gênesis apresentam a história completa do dilúvio: causas, destruição e recriação. Inicialmente apresenta a situação de violência na terra, as causas do dilúvio e a decisão de Deus de manter as sementes da nova humanidade por meio de Noé, homem considerado justo e agraciado por Deus. Em seguida, narra os preparativos para o dilúvio, como a construção da arca e a escolha dos animais para nela entrarem, e o dilúvio em si, fazendo desaparecer toda a vida que há na terra. Mas existe uma esperança: a família de Noé. Com ela, Deus recria a ordem, prometendo que não haverá mais destruição. A família de Noé, como o resto de Israel, é responsável pela sobrevivência e a restauração da humanidade (Mq 4-5; Sf 3). Por meio de Noé e seus filhos, Deus faz a aliança com toda a humanidade e com todos os seres existentes. Vamos ler e rezar essa nova aliança.

 

 

5. Leitura do texto

 

Dirigente: Juntas e juntos, acolhendo a Palavra de Deus, cantemos um cântico que fale de vida e agradecimento pela criação de Deus:

Irmão sol, com irmã luz, trazendo o dia pela mão,

Irmão céu de imenso azul a invadir o coração, aleluia.

Irmãos, minhas irmãs, vamos cantar nesta manhã, pois renasceu mais uma vez a criação das mãos de Deus.

Irmãos, minhas irmãs, vamos cantar, aleluia, aleluia, aleluia.

Leitora ou leitor 3: Ler Gn 9,1-7.

Leitora ou leitor 4: Ler Gn 9,8-12.

 

Leitora ou leitor 5: Ler Gn 9,13-17.

Dirigente: Para conversar

 

a) Em Gn 9,1-7 temos a bênção de Deus para Noé e seus filhos. Qual o conteúdo dessa bênção e quais as exigências de Deus para a humanidade?

 

b) Qual a promessa que Deus faz para o grupo de sobreviventes?

 

c) Como entender o sentido do sinal da aliança entre Deus e os sobreviventes? Deus precisa de um sinal para se lembrar disso?

 

Encerrar esse momento com um refrão apropriado. Sugestão:

Somos gente nova vivendo a união,

Somos povo-semente de uma nova nação, ê, ê...

Somos gente nova vivendo o amor,

Somos comunidade, povo do Senhor.

 

 

6. Iluminando a vida

 

Leitora ou leitor 4: Deus não é o culpado pelas tragédias humanas; elas são conseqüências de nossas opções erradas. Deus perdoa sempre; o ser humano perdoa de vez em quando, mas a natureza não. Basta olharmos para as mudanças climáticas que estão acontecendo nos últimos anos.

No texto que refletimos, Deus estabelece uma aliança de vida com toda a criação. A sua aliança é gratuita; mesmo o ser humano sendo infiel, Deus permanece fiel: Não haverá mais destruição. A aliança de Deus é renovada em Jesus Cristo, que amou até o fim, entregando a sua vida.

             

a) Qual o nosso compromisso de cristãs e cristãos diante de um mundo que vive muitas situações de destruição – caos?

 

b) Perdoar é dar a si mesmo e às outras pessoas o direito de serem felizes. É recriar. Como vivemos a dimensão do perdão em nossa vida?

 

c) Como estou transmitindo a bênção do Deus da aliança para as pessoas que estão ao meu redor?

             

Se achar conveniente, encerrar esse momento com um refrão apropriado.

 

 

7. Celebrando a vida

 

Dirigente: À nossa frente temos fitas de sete cores, lembrando o arco-íris. Nós podemos nos aproximar da cor da fita com a qual nos identificamos. E cada grupo poderá fazer uma súplica ou renovar o seu compromisso diante das realidades nas quais percebemos o rompimento da aliança com Deus. Tempo para as pessoas se expressarem.

 

Dirigente: Vamos pegar a aliança e circular entre as pessoas. O sentido de uma aliança é o compromisso entre duas partes: Deus e o ser humano. Vamos agradecer pelos momentos que somos fiéis à sua aliança. Tempo para as pessoas se expressarem.

 

Dirigente: Com o desejo de viver como povo da aliança, renovemos nosso compromisso com o projeto do Reino por meio da oração que Jesus nos ensinou.

 

Todas/os: Pai nosso...

 

 

8. Preparar o próximo encontro

             

Dirigente: Para a próxima reunião ler o texto de Gn 11,1-9, e quem puder leia as orientações em preparação ao oitavo encontro. Se alguém tiver dificuldade em ler, pedir ajuda a uma pessoa amiga ou vizinha.

 

Dirigente: Distribuir as tarefas, combinar a data e o local para a próxima reunião.

Cada pessoa pode trazer algo para partilhar no final do próximo encontro – café, chá, bolo, bolacha etc.

 

9. Gesto concreto

 

A partir desses encontros, pensar qual o gesto concreto que nosso grupo (ou comunidade) irá realizar.

 

Escolher duas ou três pessoas para sintetizar o encontro numa frase e colocar no mural da comunidade.

 

10. Bênção final

             

Dirigente: Que a bênção de Deus, que é pai e mãe, acompanhe todos os momentos de nossa vida. Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo.

 

Todas/os: Amém.

 

 

SEXTO ENCONTRO

 

Tema: A maldade humana está destruindo a natureza!

Personagens: Deus e Noé.

Texto: Gn 6,5-22.

Palavras-chave: Ver, arrepender, afligir, decidir, maldade, violência, terra, perverter, desaparecer, dilúvio, graça, aliança.

Perspectiva: Constatar que a realidade de pecado e de injustiça traz graves conseqüências para toda a sociedade e a natureza.

 

Chegou o fim de toda carne, eu o decidi, pois a terra está cheia de violência,

e eu os farei desaparecer da terra (6,13).

 

Atenção: Ao preparar o encontro, o grupo ou a comunidade, conforme a sua realidade e sua criatividade, pode mudar os cantos, as perguntas e a forma de celebrar a vida

 

1. Preparar o ambiente

 

- Colocar no centro uma Bíblia, velas e flores.

- Escrever numa cartolina o tema do encontro.

- Arrumar uma vasilha com terra, outra com água, algumas plantas, frutas e grãos.

 

 

2. Acolhida

 

Canto inicial:

 

Eu quero ver, eu quero ver acontecer. O sonho bom, sonho de muitos acontecer. Nascendo da noite escura, a manhã futura trazendo amor. No vento da madrugada a paz tão sonhada, brotando em flor.

 

Dirigente: Iniciemos nosso encontro invocando o olhar misericordioso de Deus sobre a nossa vida. Em nome do Pai, do Filho, do Espírito Santo.

 

Todas/os: Amém.

 

Dirigente: Juntas e juntos vamos ler o tema deste encontro:

 

Todas/os: A maldade humana está destruindo a natureza.

 

Dirigente: A transgressão de Adão e Eva provoca ruptura no relacionamento com Deus e com a terra. No relato de Caim e Abel vemos que a inveja e a auto-suficiência atingem a vida do irmão e da irmã. À medida que a realidade de injustiça aumenta, atinge toda a natureza. A auto-suficiência do ser humano continua ameaçando a vida em nosso planeta.

 

 

3. Motivando a conversa

 

Leitora ou leitor 1: O beato Antônio Conselheiro há mais de cem anos profetizou: "Dias virão em que os rios secarão e a água se tornará rara. O pecado do povo fará tudo ficar de cabeça para baixo. Tudo será transformado. O sertão vai virar mar e o mar vai virar sertão". Esta profecia foi retomada por Padre Cícero Romão e continua sendo tema de música popular. 

              No dia 26 de dezembro de 2004, o mundo todo acompanhou o Tsunami que inundou o sul e o sudeste da Ásia, atingindo algumas regiões da Indonésia, Sri Lanka, Índia e Tailândia. Esta tragédia ceifou a vida de mais de 280 mil pessoas e deixou várias cidades destruídas. Um verdadeiro dilúvio.

              Nos últimos anos, constantemente ouvimos falar do aquecimento global e de suas conseqüências, entre elas, as secas, as inundações, os furacões, a fome, o calor excessivo. Segundo as previsões dos cientistas, entre 200 e 600 milhões de pessoas enfrentarão falta de alimentos nos 70 anos seguintes, enquanto inundações litorâneas podem destruir 7 milhões de casas.

             

Dirigente: Diante da realidade de fome, seca e inundações que afetam a vida de milhões de pessoas, sempre nos perguntamos: Por quê? Quando aconteceu o Tsunami, algumas visões religiosas afirmaram: "Deus permitiu a morte dessas pessoas para que a humanidade se desse conta de que precisa melhorar, ser mais sensível à realidade do outro!" Será? Nós concordamos com essa visão?

 

Dirigente: O povo que enfrenta uma inundação tenta encontrar um motivo que explique a sua situação. A resposta vai depender de sua cultura e religião. Vejamos como surgem os relatos sobre o dilúvio.

 

 

4. Situando o texto

             

 

Leitora ou leitor 2: A região da Mesopotâmia, hoje conhecida como Iraque e Síria, ficava entre os rios Tigre e Eufrates. Nesta região surgiram várias nações, entre elas a Babilônia. Conforme as escavações arqueológicas, as regiões mais baixas do Tigre e do Eufrates sofreram várias inundações. Diante da situação de destruição e caos, as pessoas se perguntavam: Por que as divindades estão nos castigando? As histórias sobre o dilúvio nasceram de experiências concretas de enchentes. Na Mesopotâmia foram encontradas várias histórias sobre o dilúvio, sendo a mais conhecida a que está na Epopéia de Gilgamesh, bastante popular entre o povo judeu. É possível que os autores do relato bíblico sobre o dilúvio tivessem conhecimento da Epopéia de Gilgamesh. O relato bíblico é semelhante ao da Babilônia, mas foi adaptado conforme os interesses e a crença religiosa de seus escritores. A partir dessa realidade, vamos ler o texto.

 

 

5. Leitura do texto

 

Dirigente: Deus vê a realidade e toma uma decisão. Que a Palavra de Deus seja nossa força e nosso guia. Cantemos:

 

Eu vim para escutar

Tua Palavra, tua Palavra, tua Palavra de amor.

Eu quero entender melhor

Tua Palavra, tua Palavra, tua Palavra de amor.

O mundo ainda vai viver

Tua Palavra, tua Palavra, tua Palavra de amor.

 

Leitora ou leitor 3: Ler Gn 6,5-8.

 

Leitora ou leitor 4: Ler Gn 6,9-12.

 

Leitora ou leitor 5: Ler Gn 6,13-16.

 

Leitora ou leitor 6: Ler Gn 6,17-22.

 

Dirigente: Para conversar

 

a) O que provocou a destruição da terra, do ser humano e de todas as criaturas que vivem sob a superfície da terra?

 

b) Por que Noé encontrou graça aos olhos de Javé?

 

c) Qual é a pergunta que o relato do dilúvio procura responder?

 

 

6. Iluminando a vida

 

Leitora ou leitor 7: Deus não castiga o ser humano por sua maldade; é a sua própria ação que continua destruindo a si mesmo e a natureza. Deus tem compaixão do ser humano e abre uma nova esperança: faz aliança com Noé. Apesar dos sinais de morte e destruição, apesar das previsões negativas dos cientistas quanto à vida no planeta, ainda vemos brilhar muitos sinais de esperança e de vida.

 

a) O que nós sabemos sobre a destruição do meio ambiente? Quais as causas?

 

b) Como sentimos a presença de Deus em meio a tantas realidades de destruição?

 

c) Quais os sinais de esperança em nossa comunidade e em nossa sociedade?

 

 

7. Celebrando a vida

 

Dirigente: Olhemos para a terra. Quais as agressões que o ser humano está fazendo contra a terra? Tempo para as pessoas falarem.

              Vejamos a água. Ela é sagrada, é fonte de vida. Como o ser humano vem desrespeitando a água? Tempo para as pessoas falarem.

              Inspiremos o ar, elemento essencial para a nossa vida. Qual a qualidade do ar que respiramos? Pensemos nos gases que são lançados na atmosfera, na poluição, nas doenças que contaminam milhares de pessoas.

              Vejamos as plantas e as frutas. Lembremos da realidade do desmatamento. Momento de silêncio.

              Podemos tomar as sementes nas mãos e colocar onde quisermos, fazendo a nossa prece para que Deus plante novas sementes na terra do nosso coração.

 

Dirigente: Rezemos a oração da fraternidade, pedindo ao Pai que cultive em nossos corações a solidariedade com todos os seres criados:

 

Todas/os: Pai nosso...

            

Encerrar esse momento com um canto apropriado. Sugestão:

Não posso respirar, não posso mais nadar, a terra está morrendo, não dá mais para plantar. E se plantar não nasce e se nascer não dá. Até pinga da boa é difícil de encontrar.

Cadê a flor daqui? Poluição comeu. O peixe que é mar? Poluição comeu. O verde onde é que está? Poluição comeu. E nem o Chico Mendes sobreviveu.

 

 

8. Preparar o próximo encontro

 

Dirigente: Para a próxima reunião ler o texto de Gn 9,1-17, e quem puder leia as orientações em preparação ao sétimo encontro. Se alguém tiver dificuldade em ler, pedir ajuda a uma pessoa amiga ou vizinha.

 

Dirigente: Distribuir as tarefas, combinar a data e o local para a próxima reunião.

 

 

9. Gesto concreto

             

A partir desses encontros, pensar qual o gesto concreto que nosso grupo (ou comunidade) irá realizar. Escolher duas ou três pessoas para sintetizar o encontro numa frase e colocar no mural da comunidade.             

 

 

10. Bênção final

 

Dirigente: Vamos rezar invocando a bênção de Deus sobre toda a natureza. Que Javé, o Deus da partilha, venha em nosso socorro e nos proteja. Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Amém.

Em dupla, as pessoas podem colocar as mãos na água e invocar sobre sua irmã ou irmão a bênção de Deus.

 

Aquecimento deixará milhões famintos e sem água, diz estudo. http://noticias.uol.com.br, acesso em 30/01/2007.

 

 

QUINTO ENCONTRO

 

Tema: A auto-suficiência rompe com a fraternidade.

Personagens: Javé, Eva, Abel e Caim.

Texto: Gn 4,1-16.

Palavras-chave: Pastor, cultivar, solo, agradou, irmão, matou, sangue, sinal.

Perspectiva: Perceber que Javé é o Deus da vida e que a sua exigência é viver a irmandade e assumir a defesa das pessoas enfraquecidas.

"Onde está o teu irmão Abel?" Ele respondeu:

"Não sei. Acaso sou guarda de meu irmão?" (3,9).

Atenção: Ao preparar o encontro, o grupo ou a comunidade, conforme a sua realidade e sua criatividade, pode mudar os cantos, as perguntas e a forma de celebrar a vida.

 

 

1. Preparar o ambiente

- Colocar no centro uma Bíblia, velas e flores.

- Escrever numa cartolina o tema do encontro.

- Expor recortes de jornais ou de revistas que tratem do tema da violência hoje.

 

 

2. Acolhida

Canto inicial: Eu vim para que todos tenham vida. Que todos tenham vida plenamente.

1. Reconstrói a tua vida em comunhão com teu Senhor. Reconstrói a tua vida em comunhão com teu irmão. Onde está o teu irmão, eu estou presente nele.

2. Vim buscar e vim salvar o que estava já perdido. Busca, salva e reconduz a quem perdeu toda a esperança: onde salvas teu irmão, tu me estás salvando nele.

Dirigente: Cada pessoa é imagem e semelhança de Deus. Que Deus nos dê a graça de viver a irmandade com todas as pessoas. Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo.

Todas/os: Amém.

Dirigente: Juntas e juntos vamos ler o tema do encontro de hoje:

Todas/os: Onde está tua irmã? Onde está teu irmão? 

Dirigente: Vamos ouvir uma pequena parábola sobre a inveja, um sentimento que pode destruir a vida das pessoas, tanto a de quem inveja como a de quem é invejado.

 

 

3. Motivando a conversa

 

Leitora ou leitor 1:

Era uma vez uma cobra que começou a perseguir um vaga-lume que só vivia para brilhar. Ele fugia rapidamente, com medo da feroz predadora, e a cobra nem pensava em desistir. Fugiu um dia, e ela não desistia, dois dias e nada...

No terceiro dia, já sem forças, o vaga-lume parou e disse à cobra: Posso lhe fazer três perguntas?

Não costumo abrir esse precedente para ninguém, mas já que vou comer você mesmo, pode perguntar...

- Pertenço a sua cadeia alimentar? – Não.

- Eu te fiz alguma coisa? – Não.

- Então, por que você quer me comer?

– Porque não suporto ver você brilhar.

             

Dirigente: A inveja nasce da comparação. Enquanto olhamos para a vida do outro, esquecemos de olhar para o nosso interior, de descobrir a nossa própria luz. É como diz o ditado: "A vida é muito curta para fazermos dela um campo de batalha". Podemos nos perguntar: qual a origem da violência?

 

4. Situando o texto

 

Leitora ou leitor 2: As primeiras páginas da Bíblia apresentam algumas reflexões sobre a origem da violência. A história de Caim e Abel retrata o conflito entre dois irmãos. Caim é agricultor e o seu nome significa ganhar, produzir, possuir. Caim representa um grupo estabelecido. Abel tem o sentido de neblina, vapor, algo passageiro, assim como foi sua vida. Ele é pastor de ovelhas, vive na insegurança, migrando de um lugar para outro em busca de novas pastagens. Deus escolhe Abel. Caim, não suportando a rejeição, mata o seu irmão. Qual a atitude de Deus com Caim diante desse crime?

 

 

5. Leitura do texto

 

Dirigente: Peçamos as luzes do Espírito Santo para ler e acolher a Palavra de Deus em nossa vida: Enviai, Senhor, sobre o vosso povo, o espírito de santidade. Passo a passo ele nos guie para Deus, e sua lei grave em nossos corações.

Leitora ou leitor 3: Gn 4,1-8

Leitora ou leitor 4: Gn 4,9-10

Leitora ou leitor 5: Gn 4,11-14

Leitora ou leitor 6: Gn 4,15-16

             

Dirigente: Para conversar

 

a) “Onde está teu irmão?” Caim respondeu: "Não sei. Acaso sou guarda de meu irmão?". Como entendemos a resposta de Caim?

b) O que significa dizer: "Ouço o sangue de teu irmão, do solo, clamar para mim!”?

c) Qual o castigo de Caim?

d) O que podemos aprender com o relato de Caim e Abel?

 

Concluir com um refrão apropriado.       

 

 

6. Iluminando a vida

 

Leitora ou leitor 4: Javé, o Deus da vida, é contra a violência. Rivalidade, competição, inveja e ciúme destroem o relacionamento fraterno. Mas, apesar do pecado, Deus nunca abandona o pecador; ele o convida à mudança de vida, abre seus braços para o perdão e a reconciliação.

 

a) Quais os motivos que nos fazem romper a amizade com as pessoas com quem convivemos no dia-a-dia?

b) Qual é o nosso comportamento diante de situações de violência e injustiça?

c) Como superar os conflitos e o desejo de vingança em nossa vida pessoal e em nossa comunidade?

d) O que podemos aprender com o relato de Caim e Abel?