 |
|
 |
 |
 |
 |
 |
Pontuando e aprofundando
Análise do Cotidiano
Sugestões para uma análise do cotidiano:
Sugestão de perguntas auxiliares para o diálogo:
Análise do Cotidiano
No cotidiano vamos conhecer como os problemas e conflitos socioeconômicos, políticos, religiosos e outros atingem as pessoas no seu dia-a-dia, e como as pessoas resistem. O cotidiano é o momento de considerar a vida humana no nível existencial: os sentimentos, a dor, as relações, as buscas pessoais e comunitárias, os espaços existentes para a gratuidade e a festa. "Entrar na casa das pessoas" do texto é chegar até o espaço mais familiar: a cozinha. É o encontro "corpo a corpo" - da pessoa em sua integralidade – a pessoa que faz a pesquisa com as pessoas que aparecem no texto e com aquelas que são silenciadas ou escondidas. Isso só é possível quando há sintonia com aqueles e aquelas que são silenciados/as hoje. Supõe ter "o pé e o coração junto de quem sofre".
Sugestões para uma análise do cotidiano:
- Retomar o tema principal detectado na análise literária e sociológica e ver a sua influência na vida diária das pessoas concretas.
- Fazer uma pesquisa aprofundada sobre o tema principal. Para isso, contar com o auxílio da Antropologia, da Psicologia e de outras ciências.
- Ter a consciência de que a pessoa empobrecida não é massa, não é anônima, mas tem um rosto, tem nome, história e utopias. Suas relações são marcadas por sua classe social, etnia, sexo, idade, crença.
- Ter uma atenção particular para as relações de gênero, especialmente à realidade vivida pelas mulheres, para superar uma linguagem androcêntrica e patriarcal.
- É importante considerar a vida numa ampla rede de relações entre uma infinidade de seres vivos, entre os quais está o ser humano.
- Encontrar a experiência das pessoas, não somente na síntese contida nos discursos, mas também nas variadas formas de o ser humano expressar a sua vida. Sintonizar-se com as linguagens subliminares dos gestos, do silêncio, do choro, do lamento, dos gritos sufocados, dos encontros, das celebrações, das explosões de alegria e prazer... O cotidiano é o espaço onde acontece a exploração, onde as pessoas são capazes de resistir e lutar por uma vida melhor.
- Considerar a experiência diversificada e transitória do transcendente como parte integrante da vida das pessoas. Identificar, no texto bíblico, as diversas falas sobre Deus, falas que rompem com um discurso dogmático e formal.
- Reconhecer que a Bíblia não é o único livro sagrado, ela não catalisa todas as experiências do transcendente.
Sugestão de perguntas auxiliares para o diálogo:
a. Que marcas a luta pela sobrevivência deixa na fala, no corpo, nos sentimentos e nas relações das pessoas?
b. Como se dão as relações de gênero, a relação com aqueles e aquelas que detêm o poder? Como essas relações são construídas na organização social? Como são construídas as identidades de mulheres e homens? De quem é o corpo que aparece no texto? Qual o corpo que não aparece e por quê? Quais os condicionamentos de etnia, sexo, idade, estrato social?
c. Quais as conseqüências das leis no dia-a-dia, por exemplo, as leis referentes à purificação? Como o exercício do poder afeta o sentimento das pessoas?
d. Quais são as experiências de Deus, as crenças, as teologias e as espiritualidades vivenciadas pelas pessoas? Quais as conseqüências para o dia-a-dia?
É através do encontro com as pessoas que aparecem no texto e com aquelas que estão ocultas, que podemos entender e ouvir os gritos, as mensagens e o rosto de Deus presentes no texto. O diálogo no nível da "casa" é imprescindível para realizar o movimento do texto de ontem para a realidade de vida hoje, porque Deus "Aquele-que-é, Aquele-que-era e Aquele-que-vem (Ap 1,8), continua atuando na história, no chão comum do nosso diálogo.
|
|