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Espiritualidade

 



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Espiritualidade 7


Espiritualidade 6

Jogral - Isaías

Samuel Alves Cruz, sds


Isaías, cujo nome significa “Javé Salva”.
Tu recebeste de Deus a vocação profética
A quem respondeste voluntariamente
Para ser a Sua voz diante do povo.

Tu vieste de formação e cultura
Típicas de Jerusalém
Era conselheiro do rei e profeta do Templo
Sem no entanto deixar de lutar
Em favor dos mais pobres.

Durante toda a tua vida
Procuraste traduzir a vontade de Javé
A todos aqueles que buscavam proteção
Em outros deuses ou potências.

Foste contra o pedido de auxílio à Assíria
Na época da guerra Siro-efraimita
Quando Egito e Israel pressionavam Judá
Para que aderisse ao levante anti-assírio

Por não ouvir as tuas palavras
Judá teve o amparo da Assíria
Tendo, porém, que aderir à vassalagem
Através de pesados tributos.

Javé escolhera Judá como seu povo
E Jerusalém elegera como cidade santa
Tu, Isaías, sofrias com a infidelidade
Deste povo que não queria ouvir
O Deus que falava pela tua boca

Judá estava sofrendo com a pobreza
Gerada pelos tributos na vassalagem
Um novo levante contra a Assíria
Tornou-se uma esperança de liberdade

Tu, Isaías, novamente foste contra.
Por seres fiel à sua aliança de Deus
E não aceitar que se confiasse mais
Na força das armas do que em Javé.

No segundo levante anti-assírio
Sargon II controlou os estados rebeldes
Continuando a pagar pesados impostos
Judá se livrou por ouvir os teus conselhos

Ainda no reinado de Ezequias
O pior veio a acontecer
Judá, sufocada pelos tributos
Resolve liderar o levante anti-assírio

A Aliança de Judá com o Egito
Foi violentamente por ti condenada
Pois era o mesmo que trocar Javé
Pela idolatria para com o faraó

A ajuda do Egito de nada adiantou
Senaquerib destrói o Egito e invade Judá
Conquistando ainda 46 cidades
E exigindo ainda, de Judá a rendição

Ezequias não vê outra alternativa
A não ser a rendição de Judá
Senaquerib aceita esta rendição
E separa Jerusalém do resto de Judá

Porém, o inusitado aconteceu
Judá não foi acoplada à Assíria
E os exércitos que cercavam Jerusalém
Por ordem do rei recuaram, voltando ao seu país

O fato de ter sido mantida Jerusalém
Foi sinal do poder e da proteção de Javé
Essa história foi contada e recontada
Do ponto de vista da dinastia davídica

A tua decepção, ó Isaías
Foi a insensibilidade do povo
Que festejou a retirada do exército
Sem louvar e bendizer a Javé

Na nossa época atual

Precisamos de autênticos profetas
Sofremos a exploração de povos
Que se consideram mais fortes que nós!

Onde tu estais, Ó Isaías
Quando precisamos de um profeta que denuncie
A exploração dos Estados Unidos
Que quer todo o mundo aos seus pés!
Sendo, para nós, a Assíria opressora

Bush, o Teglat-Falasar dos dias atuais
Presta socorro aos países subdesenvolvidos
Como fizera a Assíria em tua época,
Em troca da exploração
Que nos priva da liberdade!

A dívida-externa é a nossa vassalagem
Que nos esmaga e empobrece
A Coca-cola e o Big Mc
São os nossos alucinógenos

Aonde estais agora, Isaías!
Nós somos também o povo de Javé!
O Brasil é também a terra escolhida!
Precisamos de alguém que nos guie
E nos livre da opressão e da morte!

               


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Espiritualidade 5
Salmo 137 – Recriação
Teresinha Matos 

À beira do rio Tietê – poluído – eu pensava nas belezas do rio do Peixe, na distante Adamantina.
As lágrimas escorriam pela minha face e o coração se enchia de tristeza. A viola já há muito emudecera
Os paulistanos queriam ouvir as histórias e cantigas do Interior. “Entoai uma moda caipira”, pediam.
Como falar de Adamantina em terras tão distantes? Não posso te esquecer, terra querida!
Se eu o fizer, que os meus pensamentos se embaralhem; que a minha língua fique muda; que a minha alegria desapareça para sempre.
Senhor, pense nos filhos da Paulicéia, que vivem sob a violência, poluição e pobreza. Eles dizem: trabalhai, trabalhai e trabalhai.
Filha de Adamantina, cidade ensolarada e alegre. Felizes daqueles que vivem lá e se orgulham da sua origem.
Felizes os paulistas que confiam na força de Deus!



Espiritualidade 4
Conto
Kahlil Gibran

Um velho sacerdote disse:- Fale-nos da Religião.
E o profeta respondeu: - Falei de outra coisa hoje?
Não é a Religião todas as nossas ações e reflexões?
E tudo o que não é ação nem reflexão, mas um espanto e uma surpresa sempre brotando na alma, mesmo quando as mãos talham a pedra ou manejam o tear? Quem pode separar sua fé de suas ações, ou sua crença de seus afazeres?Quem pode desdobrar as próprias horas perante si, dizendo: “Esta é para Deus e esta é para mim; esta para minha alma e esta para meu corpo?”

Todas as suas horas são asas que adejam no espaço,passando de um eu a outro... >
E aquele para quem a adoração não é uma janela a abrir, mas também a fechar, não visitou ainda o santuário de sua alma, cujas janelas permanecem abertas de aurora a aurora.
Sua vida cotidiana é seu templo e sua Religião.
Todas as vezes que penetrar nele, leve consigo todo o seu ser. Leve o arado, a forja, o macete e a lira, as coisas que modelou por necessidade ou para seu prazer... E, se quer conhecer a Deus, não procure transformar-se em decifrador de enigmas. Olhe antes à sua e irá encontrá-lo brincando com seus filhos. Erga os olhos para o espaço e irá vê-lo caminhando nas nuvens, estendendo os braços no relâmpago e descendo na chuva. Estará sorrindo nas flores, levantando-se e agitando as mãos nas árvores.

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Espiritualidade 3
O Grito da Jovem Escrava em Atos 16,16-18
Maria Áurea Augusto Marques

Peço licença a vocês
Para os meus verso passar
E neste belo concurso
Eu poder participar
Que esta Agenda tão bela
Vem nos proporcionar.


A Bíblia, este grande poema
Nascido do coração
Conta alegria e a dor
Fala de amor e paixão
Que Deus sente por seu povo
Em qual quer situação


Fala de um sonho bonito
Nascido de uma realidade
E nesse sonho está Deus
Com sua fidelidade
Conquistando nova terra
De paz e felicidade.


Vamos entrar numa Historia
De certo já conhecida
Porém desejo nos versos
Vê-la mais esclarecida
Assim ajuda quem luta
Neste Projeto de Vida.


É na 2ª viagem
Que está a narração
Quando Paulo funda Filipos (16,11-15)
Fazendo a sua Missão
Tornando-se principal
Cidade da região.


Era uma colônia romana
Primeira comunidade
Região da Macedônia
Com um jeito de cidade
Sua cultura era grega
Na fé não tem liberdade.


Paulo e Silas na cidade
Começam a caminhar
Estão indo pra Oração
Para um testemunho dar
Quando uma jovem escrava
Aos dois foi logo abordar. Essa escrava possuía
O dom da adivinhação
Espírito chamado pitônico
De muita admiração
Além de tudo rendia
Muita grana pro patrão.


Vários dias essa escrava
Seguia-os sempregritando:
“Que eles eram servos de Deus”
A salvação anunciando” (16,17)
E assim com tantos gritos
Paulo acabou se irritando.


Paulo via nestes gritos
Um perigo pra missão
Não podia controlar
O que vinha da multidão
Resolveu pois expulsar
O espírito de adivinhação.


Os patrões da jovem escrava
Viram logo se perder
A sua fonte de lucros
O que vai acontecer?
Levam os dois para a praça
Um julgamento vai ter.


Eles foram acusados
De perturbar a cidade
De propagar os costumes
Que não são da autoridade
São presos e torturados
Tratados com crueldade. (16,22-23)


A mulher escravizada (16,16-18)
Que sai na rua gritando
Representa todo povo
Que o sistema está explorando
É um grito de mudança
Que esta mulher está sonhando.


A Igreja comprometida
Com a Justiça social
Teremos a Paz na terra
De Deus o Amor Maternal
Sem opressor nem oprimido
Será tudo por igual.


Queremos ver algum dia
Realizada aqui
A libertação dos povos
Sem o F.M.I.
Sem ALCA e sem guerrilhas
No sonho vou persistir.


Somente com Paulo e Silas
A historia vai continuar (At 16,16-40)
Mas a escrava seu grito
Ninguém consegue escutar
Esta Mulher tão humilhada
Ninguém sabe onde está.


Ela reaparece Hoje
Nesta América querida
Gritando com os seus mártires
Sob a Bandeira da Vida
Para que um dia esta América
Seja enfim RESSURGIDA!


Mesmo tendo muitos deuses
Um só era o “Senhor ”
O “ Kyrios” do império
O deus era o imperador
Que se tornava pro povo Um grande perseguidor.
Os judeus nessas cidades
Eram bem hostilizados
Principalmente em Filipos
Sempre marginalizados
E dentro de uma Sinagoga
Nunca foram organizados.


Pra seguir a fé judaica
E a tradição manter
Vão para locais abertos
Sua oração fazer
Assim na margem do rio
Sua historia vão reler. (16,13)


Andando pela cidade
Paulo e Silas vão encontrar
Um grupo de mulheres
Que estão a organizar
Aquela comunidade
É isso de admirar.

Lídia é com certeza
A principal liderança (16,14)
Comerciante de púrpura
Muda porém sua herança
Que agora é Jesus Cristo
Não há maior confiança.


E o que nesta mulher
É virtude, qualidade?
É solidária com todos (16,12)
De profunda humanidade
Apóia Paulo e Silas
Nas suas dificuldades. (16,15.40)


Ela acredita que vai
Mudar a situação
Que vai acabar toda forma
Que existe de escravidão
Porque Javé tira o povo
Da casa da servidão.


Vê esta jovem escrava
Naquela comunidade
A esperança de ser livre
Daquela realidade
É a mais linda proposta
Que espera com ansiedade.


Nesta América Latina
Há muitas escravas gritando
Na dura realidade
Um lindo sonho gestando
Contra as marcas do império
Elas vão se organizando.


A pobreza tem um rosto
“ Mais Feminino” porque
Elas não estão no mercado
Não tem com que se manter
Estão fora da educação
Nem aprenderam a ler.


O que, porém é mais grave
E nos leva a pensar
É a violência que sofre
Dentro de seu próprio lar
São pressões maus-tratos físicos
Isso vai ter que acabar.

Mulheres de toda América
Lutam contra a violência
25 de Novembro
Dia de luta e resistência
Não por decreto da ONU
Mas por Nova consciência.


Quando lutamos constante
Pra nos livrar da opressão
Mãe terra e Mãe natureza
Numa nova criação
Mulheres e Homens felizes
Numa Nova Relação.


Nota: Estes versos brotaram do coração,
sentindo entre a amargura da dor, e o sabor
de Esperança.


Foram feitos a partir de um estudo científico
realizado pela equipe de biblistas do Centro
Verbo Divino – S.Paulo.


- Enilda de Paula Pedro – bp
- Maristela Tezza – cic
- Shigeyuki Nakanose - svd


Este artigo foi publicado na revista Vida
Pastoral, a quem agradeço a permissão de
fazer em forma poética, parte deste artigo,
e ao mesmo tempo colocá-lo em
linguagem popular.


Maria Áurea Augusto Marques
Rua Bom Pastor, 1407.
Engenho do Meio – 50.670-260
Recife-PE. Brasil.


Centro Bíblico Verbo Divino

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Espiritualidade 2

Na história de nosso povo – cheia de violência e medo – muitos Salmos, Orações e Lamentos vão fazendo a memória da indignação e da esperança. Alguns destes acontecimentos históricos têm personagens conhecidos e lembrados pela história... outros – homens e mulheres – precisam ser acolhidos(as) e ressuscitados na caminhada de luta. Paixão e fé.

A seguir, dois poemas, dois momentos da história do Brasil: orações de indignação e esperança.

Neste primeiro poema-oração, choramos este mistério, o esquema sobre-humano que ordena vidas e mundos.

Fala Inicial

... Quem ordena, julga e pune?
Quem é culpado e inocente?        
Na mesma cova do tempo
Cai o castigo e o perdão.
Morre a tinta das sentenças
E o sangue dos enforcados...
- liras, espadas e cruzes
pura cinza agora são.
Na mesma cova, as palavras,
O secreto pensamento,
As coroas e os machados,
Mentira e verdade estão...

Não choraremos o que houve,
Nem os que chorar queremos:
Contra rocas de ignorância
Rebenta nossa aflição.
Choramos esse mistério,
Esse esquema sobre-humano,
A força, o jogo, o acidente
Da indizível conjunção
Que ordena vidas e mundos
Em pólos inexoráveis
De ruína e exaltação.
Ó silenciosas vertentes
Por onde se precipitam
Inexplicáveis torrentes,
Por eterna escuridão!

Cecília Meireles

Romanceiro da Inconfidência



O segundo poema é também memória da história do nosso povo.
Um Salmo para rezar e acordar para a vida.
Recusar a violência e encontrar saídas de paz.

Frei Caneca

Acordo fora de mim
Como há tempos não fazia.
Acordo claro, de todo,
acordo com toda a vida,
com todos os cinco sentidos
e sobretudo com a vista
que dentro dessa prisão
para mim não existia.
Acordo fora de mim:
Como fora nada eu via,
Ficava dentro de mim
Como vida apodrecida.
Acordar não é de dentro,
 
Acordar é ter saída.
Acordar e recordar-se
Ao que em nosso redor gira.
...
Essas coisas ao redor
Sim me acordam para a vida,
Embora somente um fio
Me reste de vida e dia.
Essas coisas me situam
E também me dão saída;
Ao vê-las me vejo nelas,
Me completam, convividas...

João Cabral de Melo Neto
Auto do Frade


Este poema faz a memória do último dia de vida de Joaquim do Amor Divino Rabelo, o frei Caneca, fuzilado em Recife em janeiro de 1825, líder da Revolução de 1817 e da Confederação do Equador. Foi condenado à forca mas ninguém aceitou cumprir esta ordem, nem mesmo sobre ameaça ou em troca de liberdade ou vantagens. Terminou sendo fuzilado por seus inquisidores militares.
Oremos pelas vítimas da violência. Oremos para que o Espírito de Deus nos ajude a criar mecanismos, políticas e valores que neguem a violência e a injustiça.

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Espiritualidade 1
... para meditar e orar

Eu escutei.

Minhas entranhas tremeram...

meus lábios estremeceram,

um calafrio entrou pelos meus ossos

e minhas pernas vacilaram.

O meu gemido é pelo

dia da angustia que há de vir

para esse povo que nos oprime.

...ainda que a figueira não floresce

nem há fruto na vide

o fruto da oliveira mente

e os campos não produzem mantimento

as ovelhas desapareceram do curral

e não há animais no estábulo

...eu me alegrarei em Deus

e exaltarei em Deus, minha salvação!

Habacuque 3, 15 a 18